Ordem de Avis

Atenção: uma parte deste texto é historicamente acurada, parte é ficção. Para não confundir os conhecimentos de história do leitor, destacamos a parte fictícia em vermelho.


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O Brasil dos outros 500

Ordens e organizações


Caixa de texto:  Em 1098, o abade Roberto de Molesme fundou, perto de Dijon, a Ordem beneditina de Cister, sob a proteção do Duque da Borgonha, do qual descendia o conde D. Henrique, governador do condado de Portucale e pai do primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques. Em 1158, cavaleiros dessa ordem, a quem o rei de Castela, Sancho III, deu a cidade de Calatrava (na Nova Castela), com a missão de a defenderem contra os mouros, fundaram a Ordem de Calatrava.

Em 1162, D. Afonso Henriques fundou em Coimbra o ramo português dessa Ordem, inicialmente conhecida como Ordem Nova. Depois da conquista de Évora, os freires da ordem, agora conhecida como Ordem de Milícia, habitaram uma parte desta cidade, ainda hoje chamada a Freiria; passaram depois a Avis, perto de Portalegre, onde tomou seu nome definitivo de Ordem de São Bento de Avis.

Em 1364, foi eleito Mestre da Ordem de Avis o infante D. João, filho ilegítimo de D. Pedro I e de D. Teresa Lourenço, dama da Galiza de origem judia, então com sete anos. Em 1383, ao falecer o rei D. Fernando, herdeiro legítimo de D. Pedro I, sua viúva D. Leonor Teles assumiu a regência e mandou proclamar rainha sua filha D. Beatriz, mulher de D. João I de Castela. O mestre de Avis D. João, já então muito popular, foi ao palácio e matou o conde Andeiro, protegido da rainha. O povo levantou-se com entusiasmo e aclamou-o Defensor do Reino.

D. João organizou a resistência. Sitiado em Lisboa pelo rei de Castela, defendeu-se tenazmente. Os castelhanos, dizimados pela peste, levantaram o cerco e saíram do reino em 1384. No ano seguinte, D. João foi aclamado rei de Portugal e infligiu ao rei de Castela, que novamente invadira o país, a decisiva derrota de Aljubarrota. Seu reinado assinalou-se ainda pela conquista de Ceuta e pela descoberta das Ilhas de Porto Santo, Madeira e Açores, iniciando a era dos Descobrimentos portugueses e da grandeza de Portugal.

Com seu mestre no trono português, a Ordem de Avis ganhou grande prestígio, embora não chegasse a se tornar tão poderosa quanto a Ordem de Cristo. Os reis que o sucederam a D. João fizeram dela uma força especial, integrada pelos guerreiros mais corajosos da nobreza portuguesa e que manteve sua relativa autonomia mesmo depois que a Coroa espanhola reabsorveu a Ordem de Calatrava original, em 1489.

Após a fuga para o Brasil em 1590, a Ordem de Avis foi reformada de forma semelhante à Ordem de Cristo. Entretanto, em vez de diversificar as suas atividades, focalizou ainda mais seu papel militar, o que a tornou mais dependente dos subsídios imperiais. Permaneceu também relativamente elitista: embora esteja formalmente aberta a todas as classes, noviços de origem humilde ainda têm poucas possibilidades de serem aceitos.

No reinado de D. João IV, foi admitido entre os cavaleiros da ordem o francês Cyrano de Bergerac, que acabou por chegar ao grau de grão-mestre. Ele introduziu nova organização e novas táticas, transformando a Ordem numa unidade de combate moderna e eficiente.

Os cavaleiros de Avis são conhecidos pela sua extrema coragem e pela sua absoluta lealdade à causa do Império. Não têm a ampla cultura dos Templários nem a erudição profunda dos cavaleiros de Santiago, mas geralmente são muito corteses, galantes e dados a cultivar as letras, a música e a poesia, nas horas vagas.

São excelentes comandantes e guerreiros disciplinados, dispostos a enfrentar a parte mais perigosa das batalhas e famosos por sua pontaria e por sua habilidade em equitação e esgrima (uma tradição iniciada por Cyrano). Por outro lado, tendem a serem arrogantes e excessivamente confiantes, o que não os torna muito populares entre as demais forças militares. São, em resumo, os “mosqueteiros” do universo dos Outros 500.

Também tendem a serem céticos em relação à religião e pouco rígidos em questões morais (salvo no que se refere à honra militar), o que cria desentendimentos com a Igreja Ecumênica, à qual teoricamente ainda estão ligados. O que lhe causa mais problemas, porém, é o seu tradicional machismo. Isso sempre os deixou muito mal com as icamiabas e, agora que o feminismo começa a se difundir na sociedade, sua tradicional galanteria e condescendência para com as mulheres “normais” também começa a ser vista com olhos mais críticos.

Em 1780, a Ordem de Avis tem 25 mil cavaleiros combatentes e 10 mil em funções de apoio, mais 100 mil dependentes e auxiliares. Inclui os Dragões Imperiais de Avis, um batalhão de elite que protege o Imperador, a família imperial e seus palácios. A maior parte de suas forças, porém, estão distribuídas pelo ultramar, nos pontos do Império mais sujeitos ao risco de invasão, principalmente Portugal, Índia, Marrocos e Ormuz.